O silêncio do canto
é a voz do poema
que se constrói à noite
mesmo ainda sem tema.
O silêncio e o seu canto
estão na voz da canção
que adormece no peito
e desperta na mão
do poeta que canta,
silenciosamente,
sob as águas do poema
que nascem mansamente.
O silêncio das águas
de onde flui a poesia
traz um canto de sol,
traz o sonho de um dia
que se abrirá inteiro
ao clarão do poema,
acesa luz, romã,
a alegria por tema.
O silêncio do fruto
é um canto maduro
elaborando a seiva
do poema futuro.
José Rodrigues Paiva
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
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